Tá No Sangue S.F.C.

Psicologia da Metodologia PAR foi aliado do título das Sereias da Vila

www.tanosanguesfc.com.br   Por: Márcio Veratti   21/07/2017



Foto: Santos Futebol Clube

As Sereias da Vila conquistaram ontem (20) o Brasileirão Feminino de 2017 ao bater o alvinegro da capital por 1x0 na Arena Barueri, onde foi jogar com a vantagem por ter conquistado uma vitória também de 2x0 na Vila Belmiro no primeiro jogo da final. Com um belo trabalho da comissão técnica, jogadores e apoiadores da modalidade no clube, as meninas da Vila aproveitaram bem a estrutura oferecida e alcançaram o objetivo.

E a Tá No Sangue S.F.C. vem novamente destacar a importância da psicologia no esporte, onde o futebol feminino do Peixe inovou, e com pioneirismo abriu as portas para o psicólogo Mário Rodrigues implantar técnicas inéditas na equipe campeã. Todos os setores tem sua parcela do mérito alcançado, e a Metodologia PAR também tem, pela bela preparação das atletas, onde foi mostrado que o futebol não é um jogo de azar, e sim um esporte onde se uni o dom, técnica, força física e o controle mental. E esse controle mental é atingido através da ciência.

E na quarta-feira passada (19) data que antecipou a grande final das Sereias, o psicólogo, pedagogo e ex-atleta Mario Rodrigues, gestor da Metodologia PAR, contou para a Tá No Sangue S.F.C. como desenvolveu um treinamento prático específico de capacitação da previsibilidade do pensamento, visando um apronto final para o segundo jogo da final do Brasileirão 2017.

Esta atividade caracterizou-se em transferir o conteúdo teórico da previsibilidade do pensamento, transmitido em palestra, para o campo prático, onde as áreas afetiva, cognitiva e espaço-corporal do pensamento foram testadas na prática através da simulação de um jogo, sintetiza o psicólogo e ex-atleta.

Denominada Dinâmica “Somando talentos, multiplicando recursos, dividindo responsabilidades, subtraindo dificuldades, a matemática do jogo”, o treinamento envolve experienciar situações de jogo ligadas às áreas envolvidas.

A área afetiva envolve o controle emocional quanto a perda momentânea da posse da bola, relação com o oponente nessa dualidade de posse e não posse da bola, relação com o árbitro quanto às interpretações aplicadas nas jogadas realizadas. Isso garante isolar todos os tipos de emoção não condizentes com o jogo como raiva, medo, etc.

A área cognitiva na dinâmica realizada envolve a utilização do raciocínio para a construção de uma rota de percurso quando de posse da bola e utilização do raciocínio para neutralizar os movimentos do oponente quando não estiver de posse da bola. A importância dessa área é aprimorar o pensamento a atuar no estágio pós-presente, para inibir as falhas técnicas, tão comuns nos jogos. Ainda é muito explorado no futebol e demais esportes a questão da concentração e ela não existe porque a característica básica do pensamento é móvel. Sem o aperfeiçoamento da previsibilidade, o pensamento do atleta escapa do ambiente em vários momentos, ocasionando um desligamento do ato de pensar e, consequentemente, acontecem as falhas técnicas.

Foto: Santos Futebol Clube

Nessa área, a atividade coloca instantes onde temos atletas se confrontando em esquemas variados como 1 x 1, 3 x 1, 3 x 3, 7 x 3, ou seja, diversas situações que exigem superação ou manutenção do predomínio, características de um jogo.

Já a área espaço-corporal envolve a percepção visual do atleta quanto ao ambiente e demais atletas. O interessante dessa área é que ela é interligada às demais áreas porque as situações do jogo se apresentam com uma extrema necessidade de perceber-se como atleta e perceber o ambiente com as demais atletas, já que envolve uma conscientização mais apurada quanto às ocupações e tarefas das atletas no campo prático, integrando pensamento e movimentação corporal, uma espécie de desprendimento funcional. “Tudo aquilo que me prende, me limita, inibe minha expansão e meu desenvolvimento”, atesta o psicólogo.

A maior dificuldade que uma equipe de futebol encontra na prática é suprir falhas, isso porque todo o setor específico que for comprometido por uma falha individual sofrerá uma desorganização em sua estrutura funcional primária. Como atletas em geral são limitados às suas respectivas funções e utilizam pouco seus recursos originários do pensamento, essencialmente o raciocínio, ainda não foram habituados a aprimorarem, cada qual, seu senso de percepção espaço-corporal para remontarem a estrutura organizacional que foi comprometida.

Uma etapa acima que aprimora essa percepção espaço-viso-corporal é o que pretendemos desenvolver mais adiante no Santos FC através do inédito Programa ROP 1 x 10, que iremos apresentar ao clube.

Essa atividade prática desenvolvida visou fazer com que as atletas compreendessem a importância dessa dualidade, da interdependência desses dois polos, que se chama previsibilidade e imprevisibilidade.