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Dorival enterra “DNA”, Santos faz sua pior partida e pressão aumenta

Fonte:  www.gazetaesportiva.com   Por: Tiago Salazar - Santos, SP   02/06/2016


Dorival foi contratado para tirar o Santos da zona de rebaixamento do Brasileiro ano passado e está próximo dela agora (Foto: Ivan Storti)

Dorival foi contratado para tirar o Santos da zona de rebaixamento do Brasileiro ano passado e está próximo dela agora (Foto: Ivan Storti)

Há pouco mais de três semanas, o Santos conquistava o título do Campeonato Paulista com uma postura irreconhecível diante o Osasco Audax em plena Vila Belmiro. Uma semana depois, em entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva, Dorival Júnior externava seu arrependimento e anunciava que não abdicaria novamente de jogar para frente, mesmo que isso lhe custasse um resultado negativo.

Nesta quarta-feira, entretanto, o técnico santista jogou por terra todo seu discurso, voltou a colocar a necessidade como prioridade e acabou colaborando para a pior partida do Santos no Campeonato Brasileiro.

A derrota por 1 a 0 para o Corinthians, principal rival santista, na fria noite de Itaquera ficará marcada por números negativos. O Peixe finalizou apenas duas vezes em todo o jogo, sendo que só um chute de Renato, após escanteio, acertou o alvo. O número de passes trocados pelos comandados de Dorival também foi o menor do time nestas cinco rodadas de competição: 256 passes certos e 33 errados.

Foram nada menos que 42 bolas rebatidas pela equipe da Baixada, 43 lançamentos, 25 deles sem endereço certo, e apenas 9 cruzamentos na área corintiana, com 7 deles equivocados. Em nenhum dos quatro jogos feitos pelo Santos no Brasileirão até aqui os números da equipe foram tão ruins. E vale destacar que nesta lista estão as derrotas para Internacional, Atlético-MG, além de um empate com o Figueirense e uma vitória de virada em cima do Coritiba, conquistada apenas aos 51 minutos do segundo tempo.

Agora, a pressão em cima do treinador santista começa a crescer. Nas redes sociais e nos fóruns de torcedores alvinegros, eram centenas de postagens em meio a madrugada pedindo a cabeça do técnico. E a maior reclamação bate justamente na tecla do abandono do famoso “DNA” do clube. A tradição de se jogar ofensivamente, em busca do gol, sempre. A escalação de um time sem atacantes de ofício e com Elano na função de homem mais avançado no clássico incomodou demais boa parte dos torcedores.

Dorival Júnior iniciou o clássico sem atacantes  (Foto:Sergio Barzaghi/Gazeta Press)

Dorival Júnior iniciou o clássico sem atacantes (Foto:Sergio Barzaghi/Gazeta Press)

“É apenas povoando mais o meio. Tiramos uma referência e jogamos mais ou menos como o Corinthians joga. É o que estamos tentando fazer. Liberdade de movimentação, penetrações, mas agora com mais posse de bola”, justificou o técnico, antes da bola começar a rolar. Na prática, porém, não foi isso que aconteceu.

O Santos teve apenas 37% de posse de bola na primeira etapa. No segundo tempo, mesmo com as trocas de Léo Cittadini por Paulinho no intervalo, Elano por Joel aos 24 minutos, e Serginho por Maxi Rolón aos 30, o Peixe aumentou apenas em 1% seu tempo de domínio da bola. E o placar magro, graças a gol de Giovanni Augusto aos 36 minutos da etapa final, foi garantido pela grande atuação do goleiro Vanderlei, que fez pelo menos seis defesas notáveis, enquanto Walter, o arqueiro de Tite, se limitava a bater tiros e meta em resumo.

A campanha do Santos no Campeonato Brasileiro já é pior do que a do último ano. Em cinco rodadas na edição de 2015, à época sob o comando de Marcelo Fernandes, o Peixe conseguiu cinco pontos, um a mais do que a equipe tem hoje. O clube acorda nesta quinta na 14ª colocação, mas ainda pode cair na tabela, dependendo do complemento da rodada. A reação precisa ser imediata, já contra o Botafogo, na manhã do domingo, no estádio do Pacaembu. Do contrário, o time pode bater outra marca negativa: entrar na zona de rebaixamento uma rodada antes em comparação com a última temporada. O que se esperava, ao menos, é que os atacantes voltem e o time honre as tradições do clube.