Tá No Sangue S.F.C.

Conselho fiscal rejeita contas de 2015 e orienta o conselho Deliberativo a reprovar orçamento

Conselho Fiscal do Santos F.C. aponta irregularidades como adiantamento de cotas da FPF até 2021 pela atual gestão
www.tanosanguesfc.com.br   Por: Márcio Veratti   21/04/2016

2015 foi apurado R$78 milhões de prejuízo

O Conselho Fiscal do Santos Futebol Clube, enviou ao Conselho Deliberativo nesta semana, um parecer do balanço patrimonial de 2015. A auditoria Macso Legate Auditores Independentes, mostrou o resultado das contas do ano de 2015 e apontou a reprovação das contas do primeiro ano da atual gestão ao Conselho Deliberativo do Santos.

Entre os mais graves problemas apontados, estão a antecipação de cotas de transmissões de televisão do Campeonato Paulista de 2016, 2017, 2018, 2019, 2020 e 2021 que chega próximo ao valor de R$19 milhões sem a autorização do Conselho Fiscal, comissões pagas a intermediários em renovações de contratos de atletas do próprio clube, venda e recomprea do volante Álison, contratação de terceiros para consultoria de renegociações de empréstimos bancários e contratação de funcionários no regime CLT que foi orientado a não utilizar esse tipo de contratação por conta do rastro de processos trabalhista que o clube já sofre.

Em 2015, criou-se o Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro, conhecido como PROFUT, que considera como ato de GESTÃO IRREGULAR ou TEMERÁRIA “formar défice ou prejuízo anual acima de 20% (vinte por cento) da receita bruta apurada no ano anterior.” E muitas das ações da gestão Modesto roma Jr., cometeu essa "gestão temerária" e pode até mesmo acarretar com as saídas de Modesto e seu vice do cargo, de acordo com o artigo 68 do Estatuto Social do Santos, caso o Conselho Deliberativo paça e aprove o processo de impeachment.

O Movimento de Sócios do Santos F.C. Tá No Sangue, teve acesso as informações do parecer da Comissão Fiscal ao Conselho Deliberativo do Peixe.

Segue abaixo, os dados mais importantes da descrição do parecer da Comissão Fiscal ao Conselho Deliberativo, mostrando bem alguns pontos e valores alertados:

- Antecipação de Receitas: Ocorreram em 2015, antecipação de receitas do Campeonato
Paulista de 2016, junto a Federação Paulista de Futebol, no valor total de R$
6.725.000,00, onde pagaremos R$ 7.174.400,00 para receber R$ 5.506.691,89, em 6
meses de empréstimo. Existe também uma receita (contabilizada em COTAS DE TV) de
R$ 19.800.225,00, informada como “Bônus sobre transmissão de TV do Campeonato
Paulista - temporadas 2016, 2017, 2018, 2019, 2020 e 2021”. Porém, nos documentos
apresentados, a rubrica é a de ANTECIPAÇÃO. O Conselho Fiscal, até o final de 2015, não
foi informado da existência dessas antecipações ou “bônus” e, no segundo caso, esse
“bônus” esta em total desacordo com o que determina o artigo 91 do Estatuto Social;

- Partes Relacionadas: A Auditoria contratada constatou, de acordo com seu parecer, que
no exercício de 2015, houve transações com 2 partes relacionadas: Andres Ruedas
Garcia e Paulo Alberto Francisco;
6- Contratos: Apesar de todas as recomendações, diversos contratos celebrados pelo
clube, com terceiros, podem caracterizar, em tese, a possibilidade de ação indenizatória
baseada em equiparação a CLT, visto as peculiaridades com as quais, determinados
contratados, mantém essa relação de prestação de serviço com o clube. Por outro lado,
devido a falta de controle interno, ocorreram pagamentos em desacordo com os valores
pactuados, onde em somente um caso, foi efetuado um pagamento a maior de R$
114.409,75;

- Alison: Para readquirir os Direitos Econômicos do atleta (cedido no limiar de 2014), o
clube aceitou pagar, em Janeiro de 2016, a quantia de R$ 7.547.000,00, ao
Coimbra/BMG, 57% mais caro que o valor pago em 2014 ao clube. Este fato só é
agravado pelo fato de contratarmos especialistas em negociações que, neste caso,
acredito não obtiveram eficácia, pois, aparentemente, reaver um ativo, pagando por
isso um acréscimo de 57% em 14 meses, não nos parece ser a mais hábil das
negociações;

- Intermediações: desde que assumimos nossas funções, em 2015, este Conselho Fiscal
vem, insistentemente, sugerindo várias ações para os contratos assinados pelo clube.
Uma delas é a recomendação no pagamento de Intermediações, que, ao nosso ver, não
tem seguido uma lógica no seu cálculo de remuneração para cada caso. Conforme
ocorrido onde o próprio atleta se recusa a assinar o contrato de Intermediação por não
reconhecer esse serviço prestado pelo intermediário;

- Interserv: Desde nosso Parecer relativo ao 1º semestre de 2015, chamamos a atenção
para a contratação dos serviços da empresa INTERSERV Consultoria, Serviços, Negócios
e Participações Ltda., na renegociação de empréstimos bancários realizados em
exercícios anteriores, recebendo verbalmente a promessa de que a referida empresa
não mais atuária ao fim do contrato, em Junho de 2015. Para nossa surpresa, além da
empresa continuar suas atividades normalmente no exercício de 2015, teve seu
contrato prorrogado até Junho de 2016, em clara oposição ao que havia sido exposto
pelo Presidente do Comitê de Gestão. Este Conselho Fiscal, que já não aceitava os
termos do contrato por 6 meses, veementemente discorda da renovação feita e a
manutenção do cálculo de êxito atribuido no contrato;

- O DÉFICIT ACUMULADO (ou o Passivo á Descoberto) apurado nas Demonstrações das
Mutações do Patrimônio Líquido passou de R$ 203 Milhões em 2014 para R$ 282
Milhões em 2015;

- Balanço Patrimonial apontava R$ 46 milhões de EMPRÉSTIMOS BANCÁRIOS em 2014,
agora somamos R$ 59 Milhões, com saldos para pagamento em curto e longo prazo;

- O Balanço Patrimonial apontava R$ 74 Milhões de passivos com DIVERSOS
FORNECEDORES, sendo que a curto prazo eram R$ 31 Milhões, em 2014, aponta agora
em 2015, R$ 109 Milhões de passivos, sendo R$ 43 Milhões em curto prazo;

- O Balanço Patrimonial apontava R$ 67 Milhões de passivos com Terceiros, Obrigações
Traballhistas e Provisões Judiciais, sendo que a curto prazo eram R$ 46 Milhões, em
2014, aponta agora em 2015, R$ 78 Milhões de passivos, sendo R$ 37 Milhões em curto
prazo;

- O Balanço Patrimonial apontava R$ 101 Milhões de passivos com Parcelamento de
Tributos, sendo que a curto prazo eram R$ 6 Milhões, em 2014, aponta agora em 2015,
R$ 129 Milhões de passivos, sendo R$ 7 Milhões em curto prazo;

- No CURTO PRAZO, a DÍVIDA do Santos Futebol Clube, conforme registrado no Balanço
Patrimonial, era de R$ 175,5 Milhões, hoje, em 2015, é de R$ 150 Milhões. A LONGO
PRAZO, a DÍVIDA do Santos Futebol Clube, conforme registrado no Balanço Patrimonial,
era de R$ 197,5 Milhões, hoje, em 2015, é de R$ 260 Milhões;

- Considerando o item 15 acima, em 2014 tínhamos uma dívida total de R$ 373 Milhões,
em 2015 temos uma dívida total de 410 Milhões, o acréscimo no exercício de 2015, foi
de R$ 37 Milhões.

O Movimento de Sócios do Santos F.C. Tá No Sangue está enojado com as apurações e cobra transparência dessa diretoria que não parece estar muito diferente da anterior.