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Torcedor norueguês do Santos conhece CT e conta como nasceu o 'inusitado' amor

Agência Gazeta Press   Foto reprodução


Andre Ostgaard, torcedor norueguês, exibe faixa do Santos na Vila Belmiro

Andre Ostgaard, torcedor norueguês, exibe faixa do Santos na Vila Belmiro

No futebol é impossível imaginar até onde vai o limite de uma paixão de um torcedor por seu time e até onde esse sentimento pode chegar. E em um desses casos que impressionam até mesmo os maiores amantes do esporte, o jovem Andre Ostgaard conseguiu realizar um velho sonho nesta terça-feira. Norueguês com um vocabulário em português que não passa muito de "obrigado" e "olá", ele conheceu o CT Rei Pelé e reencontrou alguns amigos da equipe sub-20 - isso mesmo.

"Ano passado, eu fui a Valência (Espanha) assistir o Santos Sub-20 e eu me encontrei com jogadores, com o treinador, fiquei no treino e jantei com todos. Foi bem legal", conta o inusitado torcedor de 23 anos, conformado em não ter tido a chance de acompanhar os atletas profissionais por ser véspera de clássico contra o Corinthians e Dorival Júnior ter fechado a atividade.

Mas essa história começa de verdade há 13 anos, quando Andre, vindo da pequena cidade de Knapstad, que sequer tem prédios e é ocupada por apenas cerca de 400 habitantes, foi apresentado ao Santos Futebol Clube. Foi o início do que viria a ser sua maior paixão, como relata à Gazeta Esportiva.

"Eu estive no Brasil para visitar meu tio. Ele era santista. Talvez eu tenha pego isso dele. Mas, em 2011, na Copa Libertadores, eu passei a assistir tudo sobre o time e sempre assistia aos jogos durante as noites. Era bem tarde", lembra, aos risos, já que sua cidade está cinco horas a frente do horário de Brasília. "Eu passei a amar o time e os jogadores, que sempre foram muito amigáveis comigo. Todos eles. É inacreditável", diz, empolgado a cada comentário.

Desde então, a forma que Andre encontrou para se aproximar do Peixe mesmo tão distante foi por meio de um relacionamento online com jogadores e funcionários do clube e principalmente com um acervo que qualquer santista daria muito valor. São dezenas de camisas, muitas autografadas, chuteiras, shorts, faixas de capitães e fotos. Jogadores como Neymar, Gabriel, Elano e Geuvânio já ajudaram o torcedor norueguês a aumentar sua coleção.

"Isso começou com eBay (site de compras online), quando eu comprei uma camisa do Neymar de 2011, da Copa Libertadores. Ai eu fui a Barcelona, em 2013, sozinho, me encontrei com torcedores do Santos e procurei muitos no facebook. Depois fiquei muito tempo atrás de alguém que vendesse camisas. Isso é muito louco e eu não consigo parar. Eu amo isso", explica, ao citar o dia em que acompanhou de perto um dos maiores vexames da história alvinegra: a derrota por 8 a 0 para o Barça.

Andre Ostgaard parecia realizado ao falar da sua história, mas mostrou que sonha ainda mais alto. Ele quer trabalhar para o Santos. "Seria um sonho. Trabalharia até de graça para ajudar fora do país de alguma forma. O único problema é aprender português. É uma língua muito difícil", comenta, ciente do espanto que tudo isso costuma causar, principalmente em seus amigos noruegueses.

"Eles dizem que eu sou louco, obviamente. A verdade é que viajar o mundo por causa de um time de futebol não é normal. Mas eu faço isso porque eu gosto. Minha família e meus amigos não me dizem para fazer isso, mas eu tenho que fazer, porque é o meu sonho e eu quero acompanhar o meu time", afirma, cego pelo amor ao time da Vila Belmiro.

Além do Santos, Andre também diz gostar do Real Madrid e ignora completamente o futebol em seu país. Nesta terça, ao deixar o CT Rei Pelé, o jovem, mesmo comedido, se inflava ao falar o que estava sentindo. "Todos são muito amigáveis, me ajudaram muito. Eu conheci o CT e as pessoas que trabalham no clube tentaram me ajudar em tudo. No aeroporto, eu vi três torcedores do Santos e é muito louco, porque somos uma grande família e isso é muito legal. Estou muito feliz".

Depois de chegar a Santos na segunda-feira, Andre esperava assistir ao clássico desta quarta de dentro da Arena Corinthians, em Itaquera, na Capital paulista - a partir das 21h. "Mas soube que eu não poderia. Não pude acreditar. Então, vou procurar um lugar, um bar, qualquer lugar. Mas, eu vou assistir, só não sei onde", garante, pouco antes de retornar ao hotel em que está hospedado, no bairro do Gonzaga.

E ao falar do clássico, apesar da confiança que acompanha qualquer torcedor, o jovem norueguês mostrou que está antenado aos problemas da equipe e espera um duelo complicado diante do maior rival. "Eu acho que será 2 a 1 para o Santos. Gols de Joel e Paulinho, talvez. Mas é uma pergunta muito difícil. Não teremos Ricardo Oliveira, Gabigol e Lucas Lima. É, vai ser muito difícil".