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Conselho Deliberativo reprova contas do 1º. ano de Roma

Reunião foi conturbada e a votação envolveu os números do primeiro ano da gestão
Fonte: www.atribuna.com.br   Por: RÉGIS QUERINO   28/04/2016   Foto: Pedro Ernesto Guerra Azevedo / Santos FC

Modesto Roma Júnior

Em reunião extraordinária (e conturbada) do Conselho Deliberativo, que terminou no início da madrugada desta quinta (28), os conselheiros do Santos reprovaram as contas de 2015, o primeiro ano da gestão do presidente Modesto Roma Júnior.

A decisão ratificou o parecer do Conselho Fiscal do clube, baseado em auditoria da Macso Legate Auditores Independentes, que apontou  déficit de R$ 78 milhões. Numa votação apertada, 83 conselheiros concordaram com o relatório e reprovaram as contas;  81  discordaram do parecer do Conselho.

Antes da divulgação do resultado,  membros da mesa se manifestaram querendo também votar, o que é permitido pelo estatuto. A decisão, no entanto, gerou protestos e o presidente do CD, Fernando Galotti Bonavides, abortou a intenção dos que pretendiam votar, encerrando a sessão.

De acordo com o artigo 68 do estatuto do Santos, a reprovação de contas pode implicar até no impedimento do presidente e do vice-presidente do clube, por gestão temerária. Há duas semanas, o ex-presidente Odílio Rodrigues, o ex-vice-presidente Luiz Cláudio Aquino e sete ex-membros do Comitê de Gestão na era Odílio foram expulsos do quadro de sócios do clube por este motivo.

Presente à reunião, Modesto Roma se defendeu lembrando que assumiu o clube, em janeiro de 2015, em meio a uma situação financeira caótica. “Dinheiro não se imprime, não se fabrica. Nós tínhamos que ter as despesas financeiras para gerir um clube que tinha todas as suas receitas antecipadas. Alongamos o prazo da dívida e tivemos um prejuízo de 78 milhões”.

O mandatário justificou alguns dos pontos controversos levantados pela auditoria, como os R$ 19,8 milhões pagos pela Rede Globo, em outubro de 2015, que seriam, de acordo com o relatório, referentes a "cessão de direitos de captação, fixação, exibição e transmissão em televisão por assinatura, internet, pay per view, telefonia móvel e TV aberta do Campeonato Paulista" (edições de 2016 a 2021).

'Não foi diantamento'

Segundo Modesto Roma, o dinheiro não foi um adiantamento de receita. "Sempre que a Federação (Paulista de Futebol) e os clubes negociam com a emissora de TV uma renovação de contrato, forçam a Globo a pagar uma luva. Ano passado a Federação negociou e pagou R$ 19,8 milhões de bônus pela assinatura de contrato. Não é adiantamento de receita, é um bônus para cada um dos quatro grandes".

O presidente também defendeu os quase R$ 4 milhões pagos em comissões a intermediários nas renovações de contratos dos laterais Victor Ferraz e Caju, do zagueiro David Braz e do atacante Ricardo Oliveira, além de comissão paga a empresário na contratação do técnico Dorival Júnior. "Se você não comissionar o empresário do jogador que está livre no mercado, o jogador não vem. E técnico e auxiliar têm empresário sim. No caso do Dorival (Júnior), é o Edson Khodor, cunhado dele, que também é empresário, ou foi empresário, do Lucas Lima".