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Santos faz história e brilha também fora de campo

Alvinegro é o primeiro clube a expulsar dirigentes por gestão temerária
Fonte: www.atribuna.com.br   Por GLAUCO BRAGA   14/06/2016
Odílio Rodrigues foi expulso dos quados do clube

A citação é de 60a.C., referia-se à mulher de César, mas está a cada dia mais atual. Na política, costuma-se afirmar que os governantes têm de ser honestos e parecer honestos. No futebol isso não pode ser diferente.  O tempo de dirigentes que faziam o que bem entendiam, quebravam o clube e, ao fim dos seus mandatos, iam embora e deixavam a terra arrasada parece que chegou ao fim.

Um dos maiores clubes de futebol da história nunca ficou livre disso, mas nunca é tarde para dar o exemplo. O Santos Futebol Clube que teve um gênio dentro de campo e deixou marcas inatingíveis na sua trajetória, deu um exemplo e um presente de aniversário de 104 anos para sua torcida. 

Na noite desta quarta-feira, dia 13 de abril, o Conselho Deliberativo do clube decidiu em votação expulsar dos quadros do Peixe, sob a acusação de gestão temerária, o ex-presidente Odílio Rodrigues Filho e o ex-vice Luiz Claudio de Aquino e  os integrantes do Comitê de Gestão na sua administração. São eles:  Thiers Flemming, José Paulo Fernandes, Luiz Fernando Vendramini Fleury, Júlio Peralta, Alexandre Daoun, Francisco Cembranelli, Ronald Luiz Monteiro e José Berenguer.

É o primeiro caso que se tem notícia no País, depois da publicação da MP do Futebol (Medida Provisória 671/15), sancionada pela presidente Dilma Rousseff. Ela definiu  atos de gestão temerária ou irregular como aqueles praticados por dirigentes esportivos que revelem desvio de finalidade na direção da entidade ou gerem risco excessivo e irresponsável para seu patrimônio. 

O texto prevê ainda que os dirigentes responderão solidária e ilimitadamente pelos atos ilícitos ou de gestão temerária praticados. Entretanto, ressalva que o dirigente será responsabilizado apenas se tiver agido com culpa grave ou dolo. O clube já obteve autorização do Conselho para processá-los na Justiça Comum.

História

Dentro da história do futebol, o Alvinegro, a partir do dia 13 de abril, e o clube pioneiro e que deu exemplo fora de campo. Esse é mais um legado que ele deixa para história. Nada muito estranho para quem já foi primeiro em tantas situações. Agora, a atitude do Conselho Deliberativo do Santos deixa claro também que a pluralidade dentro da casa pode favorecer muito a fiscalização e punição de quem ao ganhar uma eleição se apodera e transforma o clube em sua propriedade. Aos dirigentes apegados aos "malfeitos" é um sinal que, pelo menos, num dos maiores clubes das Américas "não vai ter impunidade".     

Damião

Entre as críticas à gestão anterior, considerada temerária pela CIS, a maior delas foi a contratação do atacante Leandro Damião, no final de 2013, por 13 milhões de euros. O negócio foi intermediado pelo Doyen Sports, que financiou a compra do avante do Internacional.

Em crise, o clube atrasou o salário do elenco, não pagou obrigações trabalhistas e deu brecha para o jogador entrar na Justiça pedindo quebra do vínculo. Após longa batalha, a Doyen acionou o clube cobrando a dívida.